Areia de trechos das praias de Copacabana e Leblon é reprovada pela prefeitura

  • Com areia contaminada por coliformes devido a lixo e restos de comida, trechos de praias da Zona Sul são reprovados em análise oficial; já no Piscinão, a qualidade é ótima

RIO DE JANEIRO — O horizonte ensolarado às vésperas de mais um verão pode ganhar nuvens escuras por causa da contaminação das areias das praias da Zona Sul. Um trecho de Copacabana (altura da Rua Barão de Ipanema*) e outro do Leblon (Rua Bartolomeu Mitre**) foram considerados não recomendados pela prefeitura, a pior entre as quatro graduações dadas pelo programa Areia Carioca, da Secretaria municipal de Meio Ambiente. Nesses locais, foram detectados mais 30 mil coliformes totais em 100 gramas de areia e mais de 3,8 mil unidades da bactéria Escherichia coli, um forte indicativo da presença de fezes animais. O teste foi realizado na quinzena de 9 a 23 de outubro.

A presença das fezes de cachorros é o fator principal para a classificação negativa registrada em Copacabana. No Leblon, são principalmente os restos de comida e lixo que explicam a má qualidade das areias.

piscinão de Ramos Foto César Duarte

Nesse período, o Piscinão de Ramos, ao contrário, teve a higiene de suas areias aprovada: recebeu classificação “ótima”, assim como três trechos aferidos da Praia da Barra. A classificação positiva indica a presença de até 10 mil coliformes fecais e até 40 unidades de E. coli por 100 gramas de areia. Também receberam avaliação máxima as praias de Ipanema (trecho da Rua Paul Redfern), Vermelha (Urca), Guanabara e Bica (Ilha do Governador) e a Orla do Recreio a Guaratiba.

Gerente de monitoramento de Água e Ambientes Costeiros da secretaria, Vera Oliveira explica que não é comum esses trechos de Copacabana e Leblon registrarem índices preocupantes de contaminação. No penúltimo boletim, a região da Rua Barão de Ipanema teve índice considerado bom, mas a área da Bartolomeu Mitre apontou índice apenas regular. Já as areias do Piscinão de Ramos frequentemente aparecem como impróprias. A presença de bactérias que podem causar diarreias e irritação de pele — além de lesões e micoses — também já preocupou em Ipanema, na medição feita no fim de agosto passado. […]

cachorro praia c c c c1

— A praia é a continuação da casa do carioca, que tem que tomar mais cuidado com o que é seu. A legislação municipal é transparente ao impedir a presença de cães nas praias. A única exceção é a Praia do Diabo, mas os cães só podem circular por lá no calçadão, e os donos devem levar saquinhos para coletar as fezes. Estes índices altos em trechos de Copacabana e Leblon demonstram que houve um uso excessivo e maior sujeita e fezes. Algum impacto existiu — afirma Vera.

Mestre em biologia celular pela UFRJ, Igor Cruz alerta que microrganismos de origem fecal, como a Escherichia coli e os enterococcus, podem gerar uma série extensa de patologias. Por isso, neste verão é prudente ficar atento não apenas com o aspecto do mar:

— As patologias causadas por estas bactérias não chegam a ser letais. Mas quem gosta de pegar uma diarreia, disenteria, irritação de pele? A Escherichia coli é usada como um indicador de presença de outros microrganismos nocivos à saúde. Onde há presença de E. coli há registro de outras bactérias. A ciência já detectou que uma cepa de enterococcus, microrganismo de origem fecal, é resistente a antibióticos. Calor, umidade boa e restos de comida, características das praias do Rio, proporcionam um ambiente extremamente favorável à proliferação destas bactérias.  […] [EMANUEL ALENCAR/oglobo.globo.com/rio/areia-de-trechos-das-praias-de-copacabana-leblon-reprovada-pela-prefeitura]

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